“E eu não sei pedir. Meu Deus, eu não sei pedir ajuda. Nunca gostei de depender dos outros. E tem mais: não consigo dizer eu-preciso-de-você-agora. Sei que é simples, mas não sai. Algo me trava, a voz não sai. Tenho um orgulho que não me deixa. Acho que tenho que ser a fortona do pedaço, que consigo me reconstruir, me levantar sem dar a mão para ninguém. Não gosto de admitir nem assumir fraquezas nem de demonstrar a minha própria fragilidade. As pessoas fazem SOS a todo instante. Choram, pedem, imploram, suplicam. Não consigo. Para mim isso é traição. Não consigo chegar para a outra pessoa e falar tô-acabada-tô-precisando-não-vou-conseguir-sozinha. Sinto um terror só de pensar.
“Já vi tanta gente partir, mas nunca me acostumo.
“Deixa em cima desta mesa a foto que eu gostava, pr’eu pensar que o teu sorriso envelheceu comigo. Deixa eu ter a tua mão mais uma vez na minha pra que eu fotografe assim meu verdadeiro abrigo. Deixa a luz do quarto acesa, a porta entreaberta, o lençol amarrotado mesmo que vazio. Deixa a toalha na mesa e a comida pronta, só na minha voz não mexa, eu mesmo silencio. Deixa o coração falar o que eu calei um dia, deixa a casa sem barulho achando que ainda é cedo. Deixa o nosso amor morrer sem graça e sem poesia, deixa tudo como está e se puder, sem medo. Deixa tudo que lembrar eu finjo que esqueço, deixa e quando não voltar eu finjo que não importa. Deixa eu ver se me recordo uma frase de efeito pra dizer te ver ir fechando atrás da porta. Deixa o que não for urgente que eu ainda preciso. Deixa o meu olhar doente pousado na mesa, deixa ali teu endereço qualquer coisa aviso. Deixa o que fingiu levar mas deixou de surpresa, deixa eu chorar como nunca fui capaz contigo. Deixa eu enfrentar a insônia como gente grande, deixa ao menos uma vez eu fingir que consigo. Se o adeus demora, a dor no coração se expande. Deixa o disco na vitrola pr’eu pensar que é festa, deixa a gaveta trancada pr’eu não ver tua ausência. Deixa a minha insanidade é tudo que me resta, deixa eu por à prova toda minha resistência. Deixa eu confessar meu medo do claro e do escuro, deixa eu contar que era farsa minha voz tranquila. Deixa pendurada a calça de brim desbotado, que como esse nosso amor ao menor vento oscila. Deixa eu sonhar que você não tem nenhuma pressa. Deixa um último recado na casa vizinha, deixa de sofisma e vamos ao que interessa. Deixa a dor que eu lhe causei agora é toda minha, deixa tudo que eu não disse mas você sabia. Deixa o que você calou e eu tanto precisava, deixa o que era inexistente e eu pensei que havia.
“Eu estava hoje pensando em escrever sobre o que eu estou sentindo, mas quando eu comecei eu vi que nada fazia sentido, afinal anda tudo uma bagunça, desde meus sentimentos até meu quarto.
Você faz parte da minha vida, não sei porque ainda pensa assim. Somos amigas, melhores amigas e eu só te dei um gelo, mas nunca te tirei da minha vida nada fácil. Eu te amo Gabriela Araújo, e assim que eu voltar na quinta a noite, precisarei do seu abraço, porque estou desmoronando.
“Já sentiu aquela sensação de estar lotado? Fica parecendo aquelas nuvens escuras avisando que virá chuva. Mas com a gente é um pouco diferente, nossa água é salgada, pois ela vem de sentimentos ruins, aqueles não correspondidos, ou cheios de ódio; chorando nós nos descarregamos, nos aliviamos, liberando toda aquela tristeza que o dia trouxe. Alguns viram a noite fazendo isso, é cansaço, tanto físico quanto emocional, cansaço de se fazer de forte quando na verdade o que precisa é chorar, fugir, ficar sozinho, ou voltar para a casa, se trancar no quarto, no banheiro e desabar. Chorar não é muito bom, mas de vez em quando é preciso.
“…I’m guessing that she’d rather just forget it, clinging to not getting sentimental.”
“Não curto esse tipo de gente.
Que gruda e desgruda.
Que entra e sai.
Que chega e já vai.